O Brasil está entre os dez piores países do mundo para se respirar, segundo revela um abrangente estudo internacional.
A pesquisa, conduzida por analistas globais da plataforma de comparação de seguros de saúde Compare the Market, avaliou 88 países. O índice cruzou indicadores ambientais e de saúde pública cruciais: emissões anuais de gases de efeito estufa (CO2e), níveis de poluição por partículas finas no ar (PM2,5), prevalência de asma e taxa de mortalidade por doenças respiratórias.
O diagnóstico do Brasil: por que estamos no fundo da lista?
Com uma nota geral muito baixa de apenas 63,40 de 100 pontos possíveis, o Brasil garantiu a 82ª posição mundial (sendo o 7º pior país do ranking global).
Embora o nível de poluição do ar por partículas finas (PM2,5) no Brasil seja de 12,6 µg/m³ — uma média anual que não é das piores se comparada a países desérticos ou altamente industrializados —, o país despencou no índice devido a fatores graves de saúde pública e emissões:
- Surto silencioso de asma: O Brasil apresenta uma das taxas de asma mais alarmantes do mundo, com 8.451,88 casos para cada 100.000 habitantes. É a terceira pior taxa entre os dez últimos colocados, atrás apenas de Estados Unidos e Belize.
- Gigante das emissões: A pegada de carbono do país é massiva, somando 1.300.170.000 toneladas de CO2e ao ano, o que penaliza drasticamente a pontuação ambiental brasileira no índice.
- Mortalidade respiratória estável, mas preocupante: O país registra anualmente 29,59 mortes por doenças respiratórias a cada 100.000 habitantes.
No topo do ranking, a liderança foi dominada pelo norte da Europa, com a Estônia conquistando o 1º lugar mundial (pontuação de 94,17), seguida por Letônia e Lituânia. Na outra ponta da tabela, os Estados Unidos ficaram com o título de pior país do estudo devido a emissões industriais astronômicas e uma taxa epidêmica de asma.
Os 10 países com pior desempenho: Índice de Qualidade do Ar e Saúde Respiratória
(Ordenados do pior para o melhor)
| Posição Global | País | Emissões de Gases de Efeito Estufa (t CO2e) | Poluição por Partículas PM2,5 (µg/m³) | Taxa de Asma (por 100k hab.) | Mortes por Doenças Resp. (por 100k hab.) | Pontuação de Qualidade do Ar e Saúde |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 88 (Pior) | Estados Unidos | 5.960.800.000 | 9,1 | 10.833,17 | 30,27 | 40,54 |
| 87 | Egito | 335.970.000 | 42,4 | 4.969,85 | 40,43 | 53,33 |
| 86 | Emirados Árabes Unidos | 267.820.000 | 43,0 | 7.517,71 | 28,51 | 55,25 |
| 85 | Belize | 920.000 | 8,3 | 9.038,67 | 43,66 | 61,68 |
| 84 | Argentina | 365.680.000 | 9,2 | 6.299,26 | 49,19 | 61,86 |
| 83 | África do Sul | 522.120.000 | 19,9 | 4.564,87 | 42,29 | 63,32 |
| 82 | Brasil | 1.300.170.000 | 12,6 | 8.451,88 | 29,59 | 63,40 |
| 81 | Cazaquistão | 320.350.000 | 22,2 | 1.918,46 | 49,49 | 64,03 |
| 80 | Sri Lanka | 38.400.000 | 19,3 | 5.651,06 | 40,84 | 64,36 |
| 79 | Filipinas | 256.150.000 | 13,5 | 5.593,81 | 44,23 | 64,45 |
Metodologia
Este conjunto de dados classifica os países selecionados globalmente com base na qualidade do ar e nos desfechos de saúde respiratória das suas populações. Ao cruzar indicadores de poluição atmosférica com métricas de saúde diretamente ligadas a doenças pulmonares, o índice identifica as regiões que oferecem ar mais limpo e melhor bem-estar respiratório.
Cada métrica individual foi normalizada para gerar uma nota entre 0 e 1. Nos casos em que os dados não estavam disponíveis, foi atribuída a nota 0. Em seguida, calculou-se a média aritmética de todas as métricas para gerar a nota final em uma escala de até 100 pontos. Pontuações mais altas indicam ar mais limpo e melhores condições de saúde respiratória para a população local.
