Fios feitos de algas avançam para lote piloto na indústria têxtil

Imagem produzida por IA.

A passagem do laboratório para a indústria é o próximo desafio da Phycolabs, startup de biomateriais que desenvolve fibras e fios feitos de algas marinhas. Criada pela pesquisadora paraibana Thamires Pontes, a empresa trabalha na fabricação de seu primeiro lote piloto em ambiente industrial, etapa que deverá apoiar a avaliação da tecnologia antes de uma possível aplicação comercial.

A proposta reúne dois objetivos: oferecer uma alternativa de matéria-prima para a cadeia têxtil e desenvolver processos que demandem menos água e energia. A startup também busca tornar os fios compatíveis com as máquinas já utilizadas pelas fábricas, evitando que sua adoção dependa de uma ampla substituição de equipamentos.

Testes industriais antecedem a validação com empresas

Os protótipos passam atualmente por testes de tingimento e funcionalização. Essas avaliações procuram identificar como os materiais se comportam diante de procedimentos do setor têxtil e quais ajustes serão necessários para avançar no desenvolvimento.

O lote piloto deverá aproximar essa análise das condições de uma linha industrial. A mudança de escala permite examinar não apenas o desempenho dos fios, mas também a capacidade de repetir o processo e sua adaptação à infraestrutura de produção.

O caminho previsto para aproximar o material do mercado envolve:

  • Testar os protótipos em processos de tingimento e funcionalização;
  • Produzir o primeiro lote piloto em ambiente industrial;
  • Avançar para a validação comercial com empresas que acompanham a tecnologia.

Nessa futura etapa com empresas, a intenção é testar a utilização dos fios em produtos. Os resultados poderão ajudar a identificar aplicações e segmentos com maior potencial de adoção. A existência de protótipos, portanto, ainda não significa que o material esteja pronto para produção comercial em larga escala.

Pesquisa iniciada no mestrado deu origem à Phycolabs

A trajetória começou em 2016, durante o mestrado de Thamires Pontes. O trabalho acadêmico foi concluído em 2018 e serviu de base para a continuidade do desenvolvimento. Em 2022, a pesquisadora fundou a Phycolabs para conduzir o projeto como uma iniciativa empresarial de biomateriais.

Desde os estudos iniciais, o trabalho resultou em protótipos e conquistou premiações internacionais. A equipe já depositou uma patente e desenvolve uma segunda. A trajetória também foi apresentada no quadro Vestuário, do programa Diversidade, que abordou a pesquisa e os passos para aproximá-la do uso comercial.

Menor impacto é objetivo do desenvolvimento

O uso de algas cultivadas como base para fibras e fios integra a busca por novas matérias-primas destinadas à moda. No caso da Phycolabs, a proposta ambiental vai além da origem do material e inclui a maneira como ele deverá ser processado pela indústria.

Reduzir o consumo de água e energia é uma meta do projeto, não um resultado quantificado nas informações divulgadas. A verificação do comportamento dos fios em ambiente industrial será importante para orientar os próximos ajustes e avaliar sua aplicação.

A compatibilidade com equipamentos existentes também ocupa papel central nessa estratégia. Ao buscar aproveitar a estrutura disponível nas fábricas, a startup procura diminuir uma possível barreira à implantação. O avanço dependerá agora dos testes industriais e, posteriormente, das avaliações em produtos com as empresas interessadas.

Da Redação, com informações de iNewsBR.