Em 2026, eficiência operacional, dados e digitalização deixam de ser tendência e se tornam critério básico de viabilidade no setor de eventos
A sustentabilidade nos eventos deixou de ser um discurso aspiracional e passou a se consolidar como consequência direta de operações mais eficientes. Em um setor que mobiliza milhares de pessoas, estruturas temporárias e grandes volumes de materiais, o tema ganha força em um cenário em que marcas, patrocinadores, poder público e público final passaram a exigir práticas mais responsáveis, transparentes e mensuráveis.
O assunto deixou de ser pauta de nicho e passou a integrar critérios de reputação, viabilidade e permanência no mercado. Do pequeno ao grande porte, nenhuma produção está isenta dessa responsabilidade. “Falar em sustentabilidade pode até soar óbvio, mas, na prática, ainda está longe de ser uma realidade ampla. Vejo poucos produtores fazendo essa virada de chave no dia a dia. É um movimento que precisa ganhar corpo, consistência e escala”, avalia Lucas Miranda, CEO da Byma, plataforma inteligente de venda de ingressos.
O movimento acompanha uma tendência global de integração entre eficiência operacional, práticas ESG e retorno sobre investimento, cada vez mais observada por marcas, patrocinadores e investidores, que passaram a enxergar a sustentabilidade como um fator estratégico de competitividade e não apenas como posicionamento institucional.
Algumas iniciativas já demonstram que essa virada é possível, ainda que de forma gradual. A última edição do Rock in Rio, por exemplo, evidenciou o impacto de uma gestão ambiental estruturada: 61 toneladas de resíduos recicláveis foram recolhidas apenas no primeiro fim de semana do festival, mostrando o potencial de transformação do entretenimento ao vivo quando há planejamento, dados e tecnologia envolvidos.
“Depois de mais de 10 anos atuando no entretenimento ao vivo, aprendi que o impacto de uma produção vai muito além do palco. É o que fica depois da última música, da luz que apaga, da multidão que vai embora. E, muitas vezes, o que fica é lixo. Muito lixo”, afirma Lucas Miranda.
Um dos primeiros passos dessa transformação é o fim do ingresso físico que se tornou padrão em grandes eventos e começa a se consolidar também nos médios e pequenos. A digitalização do acesso elimina impressões desnecessárias, reduz o uso de papel e tintas, evita perdas e falsificações, e ainda agiliza o fluxo de entrada do público. Menos filas, menos resíduos e uma experiência mais fluida são ganhos imediatos, tanto para o público quanto para a operação.
Mas a tecnologia vai além do acesso. As plataformas de gestão integradas permitem prever demandas com mais precisão, ajudando organizadores a dimensionar corretamente equipes, estruturas, alimentação e materiais. Com dados em tempo real, torna-se possível evitar excessos, reduzir retrabalho e minimizar desperdícios que antes só eram percebidos quando o evento já havia terminado.
“A sustentabilidade precisa estar no planejamento, não no improviso. Produzir eventos com responsabilidade ambiental deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade”, reforça. “Lidar com o lixo produzido é uma das maiores responsabilidades dos eventos, especialmente os de grande porte. O entretenimento é um dos setores com maior capacidade de transformação, podendo elevar o cenário de reciclagem e reuso de resíduos no país”, conclui Miranda.
Separar corretamente os resíduos, reduzir o uso de plásticos, reaproveitar estruturas, envolver cooperativas locais e conscientizar o público são ações que ganham escala e eficiência quando apoiadas por soluções tecnológicas. Automação, controle de acesso inteligente e relatórios digitais também permitem, em 2026, operar eventos complexos com equipes mais enxutas e estruturas menores, reduzindo custos e a pegada ambiental.
O mercado de eventos no Brasil avança em escala, sofisticação e impacto econômico. O país ocupa a segunda posição entre os maiores mercados de shows do mundo, em volume de ingressos vendidos, e o setor movimenta mais de R$ 300 bilhões por ano, segundo estimativas da ABEOC e do Sebrae, o equivalente a cerca de 4,3% do PIB nacional.
Neste cenário de crescimento e maior complexidade operacional, produzir eventos deixou de ser apenas uma questão de experiência e repertório. Planejamento, eficiência e gestão de riscos passam a depender, cada vez mais, do uso estratégico de dados para orientar decisões financeiras, operacionais e de sustentabilidade.
Em um mercado cada vez mais pressionado por custos operacionais, exigências ambientais e expectativas do público, tecnologia e dados deixam de ser apenas ferramentas de apoio e passam a ocupar o centro das decisões estratégicas dos eventos. Mais do que reduzir impactos, a sustentabilidade aplicada se consolida como um vetor de eficiência, longevidade e valor econômico para o setor.
Fonte: Raissa Francisco – Assessoria de Imprensa
