Combate à pobreza exige inclusão econômica e ação empresarial, defende artigo

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O combate à pobreza precisa ir além da oferta de produtos acessíveis para consumidores de baixa renda e integrar a maneira como as empresas geram valor. Essa é a proposta central de Márcio Mendes em artigo publicado no LinkedIn, que relaciona a concentração de riqueza, a vulnerabilidade social e a responsabilidade empresarial diante do desenvolvimento sustentável.

A reflexão parte do primeiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, o ODS 1, dedicado à erradicação da pobreza em todas as suas formas e lugares. Para o autor, a permanência de situações extremas de privação não decorre simplesmente da falta de recursos no planeta, mas da desigualdade no acesso à riqueza e às condições necessárias para uma vida digna.

Distribuição da riqueza no centro do debate

Mendes cita uma publicação da Oxfam de 2025 segundo a qual a riqueza do 1% mais rico do mundo poderia acabar com a pobreza global 22 vezes. O dado é utilizado no artigo para contrastar a disponibilidade de recursos com as dificuldades de acesso a alimentação, saneamento, saúde, educação e moradia.

Na avaliação do autor, tratar a pobreza como consequência inevitável do crescimento econômico significa aceitar um modelo que mantém parte da população à margem de seus benefícios. Sua crítica também alcança negócios que encontram na privação apenas uma fonte de mão de obra barata ou uma oportunidade comercial.

Proteção social e vulnerabilidade climática

A discussão tem conexão direta com a agenda ambiental. O artigo aponta que as crises climáticas já agravam as condições de vida dos mais pobres e defende mecanismos de proteção social e acesso a recursos financeiros para enfrentar períodos de instabilidade.

Entre os indicadores reproduzidos no texto, a cobertura de ao menos um benefício de proteção social teria alcançado 52,4% da população mundial em 2023, ante 42,8% em 2015. Ainda assim, 3,8 bilhões de pessoas permaneceriam sem essa cobertura. Esses números são apresentados pelo autor como parte do acompanhamento internacional do ODS 1.

A leitura proposta é que renda, serviços básicos e proteção diante de crises precisam ser considerados em conjunto. Sob essa perspectiva, a redução da pobreza não se limita a elevar o consumo, mas envolve criar condições de estabilidade e ampliar a capacidade de enfrentar adversidades.

Empresas podem atuar além do mercado de baixa renda

Mendes reconhece a importância de produtos e serviços acessíveis, mas argumenta que esse atendimento é insuficiente quando não contribui para melhorar a situação econômica dos consumidores. O texto também associa a restrição de renda a limites para a expansão dos próprios negócios.

Como caminhos para a participação empresarial, o autor destaca:

  • Criação de empregos e pagamento de salários justos;
  • Investimento em comunidades;
  • Desenvolvimento de negócios de impacto voltados à superação da pobreza;
  • Iniciativas que favoreçam estabilidade econômica e inclusão financeira.

O artigo integra uma proposta de reflexões orientadas pelos 17 ODS, com referências ao rock brasileiro dos anos 1980. A mensagem central é que enfrentar a pobreza exige reconhecer as pessoas por trás dos indicadores e incorporar sua inclusão às decisões econômicas e empresariais.

Da Redação, com informações de linkedin.com.